Uberlândia é pioneira em MG no Banco de DNA de criminosos

Os condenados por crimes hediondos, como homicídio e estupro, do Presídio Jacy de Assis e da Penitenciária Pimenta da Veiga, farão parte do Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG). Ao todo, 270 detentos terão o material genético coletado a partir deste mês, cumprindo o determinado pela Lei 12.654 de 2012, que cria o banco de DNA de criminosos. A medida é pioneira no Estado e tem como objetivo auxiliar as investigações de crimes abertos, ou seja, sem suspeitos.

Dos detentos, será colhida saliva de onde é extraído, após análise, o mapeamento genético. As informações podem ser acessadas pelos órgãos de polícia científica, a partir do programa Codis, software fornecido gratuitamente em 2012 pelo FBI, a polícia federal norte-americana.

A coleta do DNA é feita pela Polícia Federal (PF) e, segundo o delegado chefe da PF em Uberlândia, Carlos Henrique D’Ângelo, a principal mudança será a rapidez e certificação nas investigações. “Tivemos sucesso em casos em que foram encontrados fragmentos humanos e, quando comparados com material genético do suspeito, foi comprovada a autoria. Mas esse foi um caso fechado, que já tinha um suspeito. Com o banco de dados, o material encontrado será lançado no programa que localizará o criminoso caso ele esteja cadastrado”, disse D’Ângelo. Os casos citados são de duas explosões de caixas eletrônicos e um roubo.

O diretor referência da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), coronel Adanil Firmino, considera a medida uma importante ferramenta contra a reincidência. Ele espera que, no futuro, a coleta e cadastramento possam ser feitos pelos agentes do sistema prisional. Atualmente, é responsabilidade da Suapi cadastrar com foto e registros digitais cada nova entrada de detento para quaisquer crimes.

Estado é o 3º que mais contribui

Minas Gerais foi o terceiro Estado que mais contribuiu, neste ano, para o recolhimento dos perfis genéticos em todo o País. Desde 2011, Minas já fazia o mapeamento de criminosos sexuais. No último ano, o Estado contribuiu com 160 perfis, sendo 42 de condenados. As informações do banco auxiliaram, desde sua criação, a quatro investigações mineiras, duas deles confirmando a autoria do crime.

Iniciativa agrada, mas esbarra nas condições técnicas

Para o chefe da perícia da Polícia Civil em Uberlândia, Eduardo Siquieroli, o mapeamento genético e o cadastramento no Banco Nacional de DNA vão possibilitar a localização de criminosos de forma facilitada. Ele alerta, porém, que a dinâmica da investigação não mudará no âmbito local. “Mesmo com o banco de dados, o material coletado aqui será enviado para Belo Horizonte, onde será feita a comparação. Um procedimento que demora, já que cada nova demanda entra em um fila de atendimento e não deve mudar”, afirmou Siquieroli.

Segundo o perito, a demanda de pessoal e equipamentos no Instituto de Criminalística e nos postos de perícia da PC pode dificultar a plena utilização do banco de dados. O Instituto de Criminalística em BH confirmou a falta de recursos e afirmou também que a qualidade do material coletado também influencia no tempo de processamento do mapa genético.

Por: Diogo Machado

Original em: http://www.correiodeuberlandia.com.

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