Pesquisa sobre novo estudo forense de MS é finalista em concurso mundial

Projeto é pioneiro no mundo e poderá transformar investigação de crimes

O estudo já estava em andamento há seis anos, iniciado pela entomologia (estudo de insetos e larvas) e agora passou para a palinologia (pólens) forense. O grupo viu no concurso a oportunidade de inovar a pesquisa, na questão ambiental, conscientizando de que é preciso preservar a natureza e ainda criar um equipamento acoplado ao celular para acelerar o trabalho de análise feito hoje em laboratório, por meio de microscópio.

Na China, o desafio do grupo será o de desenvolver um equipamento de lentes adaptado a um telefone celular, substituindo o trabalho atual, acelerando assim a investigação, que passa a ser instantânea. “Basicamente poderemos relacionar o tipo de vegetação com o pólen encontrado na vítima, indicando a localização da vítima, o local onde o crime ocorreu com exatidão e o caminho que o corpo possa ter tido”, disse Oliveira.

A doutoranda Ariadne Barbosa Gonçalves, do programa de Ciências Ambientais e Sustentabilidade Agropecuária da UCDB, que encabeça a pesquisa, já realizou testes em oito ocorrências policiais reais para comprovar a aplicabilidade do trabalho.

“Sei qual é o pólen e qual a região de procedência dos grãos. O pólen encontrado no corpo não é compatível com a região onde foi encontrado. Essas afirmaçõesjá é possível fazermos, possibilitando fornecer informações para o perito, que as utilizará na investigação policial”, disse Ariadne.

Por ser uma ferramenta inédita no Brasil, a expectativa do grupo é que um dia o protótipo de lentes seja patenteado e o software registrado para que possam ser utilizados no mundo inteiro, ajudando na elucidação de crimes.

“O estudo da palinologia é um trabalho que tem uma relevância social muito importante. Ainda que um trabalho desse demande anos ou décadas de pesquisa, a resolução de um crime já justificaria todo esse trabalho. Então isso já valeu a pena. O empenho nesse projeto pioneiro vem para contribuir por uma sociedade em que haja a melhor garantia da ordem e segurança pública”, disse Oliveira.

O grupo viaja com as despesas pagas pelos patrocinadores do evento, concorrendo a um prêmio de US$ 3 mil (cerca de R$ 10 mil) para o primeiro lugar.

O TRABALHO

Após coletar os grãos de pólen no corpo da vítima, no laboratório os pólens são identificados e com imagens áreas e de satélite fornecidas pela prefeitura de Campo Grande e o Ministério do Meio Ambiente, por meio do georreferenciamento da vegetação da cidade, o que vai determinar o tipo de vegetação na qual pode ser encontra o pólen.

“Com imagens hiper espectral é possível separar a vegetação de área impermeabilizando do mapa, utilizando isso o sftware fornece os parâmetros da localização, como vegetação mata, vegetação rasteira e vegetação urbana. Cada tipo de vegetação possui determinados valores de pixels que possibilita separar onde estão esses fragmentos de vegetação pela cidade de Campo Grande”, explicou a doutoranda.

A pesquisa trabalha para encurtar esse espaço de investigação. Com uma lente 400 vezes mais potente capturar a imagem do pólen no local do crime e de forma instantânea, com o uso de um aplicativo, trazer a informação da localização da procedência do pólen e colabora de forma imediata na investigação. O tempo que o crime ocorreu também poderá ser observado, já que o aplicativo vai informar o período de flora de cada tipo de vegetação e contrastado com o que foi encontrado na cena do crime.

Original em: https://www.correiodoestado.com.br

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